Um ano depois da mobilização S.O.S Rio Poty, realizada em Teresina por pescadores, ambientalistas e integrantes do coletivo Guardiões do Poty para chamar atenção das autoridades sobre o avanço dos aguapés (Eichhornia crassipes) no trecho urbano do rio, o cenário volta a se repetir e, dessa vez, com maior extensão.
À época, o movimento alertava que a proliferação excessiva da planta, impulsionada pela poluição e pela estiagem, poderia comprometer a oxigenação da água, prejudicar a pesca e afetar comunidades ribeirinhas. Hoje, a vegetação já ocupa mais de 3 quilômetros entre os bairros Ininga e Pedra Mole, reacendendo o debate sobre poluição, saneamento e a ausência de soluções estruturais para um problema que se repete ano após ano na capital piauiense.

“O que a gente queria era resolver o problema. Ano após ano e as coisas não mudam”, resume seu Quarenta, pescador e um dos líderes do coletivo.
Atualmente, a retirada dos aguapés tem sido feita principalmente pelos Guardiões do Poty e por pescadores da região, em mutirões coletivos. Entre janeiro e o início de fevereiro de 2026, os mutirões totalizaram 13 perímetros de limpeza realizados até o momento. O trabalho, feito de forma voluntária, evidencia o esforço comunitário para conter o avanço da vegetação enquanto medidas estruturais seguem sem apresentar resultados visíveis.

O acúmulo dos aguapés formam o conhecido “tapete verde” que ao bloquear a passagem da luz solar, prejudica o desenvolvimento de algas responsáveis pela oxigenação da água, podendo provocar a morte de peixes e afetar diretamente a pesca artesanal, as comunidades ribeirinhas e o turismo local.

Em nota, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMAM) informou ao Piauiensidades que realiza monitoramento contínuo da presença de aguapés no Rio Poti, reconhecendo que o fenômeno está relacionado ao excesso de nutrientes na água e que o controle exige ações permanentes e acompanhamento constante.
Já a Águas de Teresina afirmou que atua no tratamento do esgoto coletado na cidade, considerado um dos fatores fundamentais para evitar a proliferação dos aguapés, destacando que todo o esgoto coletado é 100% tratado. A concessionária informou ainda que não realiza fiscalização de despejo irregular no rio.
Leia nota completa da SEMAM na integra:
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMAM) informa que realiza monitoramento contínuo da presença de aguapés no Rio Poti, dentro das competências do município.
O surgimento dessa vegetação aquática está relacionado ao excesso de nutrientes na água, condição que favorece sua proliferação.
O controle dos aguapés exige ações contínuas e acompanhamento permanente. A SEMAM segue atuando dentro de suas atribuições, com monitoramento e manejo quando necessário, reforçando a importância do cuidado coletivo com os recursos hídricos.
A fragmentação das responsabilidades permanece como um dos principais entraves. Enquanto o município afirma monitorar e manejar quando necessário, e a Águas de Teresina destaca o tratamento do esgoto coletado, o avanço dos aguapés revela que o problema estrutural ainda não foi solucionado. Entre notas técnicas e competências institucionais, o rio segue pedindo algo além de monitoramento: solução.



